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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Jean Paul Gaultier e o cinema

Já deste uma olhada na página do IMDB do Jean Paul Gaultier? Sim, ele está no IMDB. A maioria das pessoas o conhece pelo seu trabalho em haute couture ou Pret-a-Porter, ou o famoso sutiã da Madonna, ícone dos anos 90, mas ele é, também (caso ter sido diretor criativo da Hermès não seja suficiente), um dos designers de figurino mais versáteis e competentes da atualidade. Explico o porquê: em geral, quando falamos de bons figurinos para o cinema, ficamos atrelados àqueles de época, grandiloquentes, como no caso de Anna Karenina e o Grande Gatsby (aqui sem fazer juízo de qualidade, os figurinos e estética de ambos os filmes são maravilhosos). E mesmo no caso daqueles que não sejam estritamente de época, como Senhor dos Anéis e Game of Thrones, tudo remete muito a roupas e cenários de Idade Média/Renascimento.
É aí que entra o trabalho de JPG. Ele conseguiu, seja em filmes futuristas, como O Quinto Elemento, ou muito teatrais, que é o caso de O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante, mostrar uma qualidade ímpar no desenho de estilos completamente diferentes, e, mesmo em um filme em que seu trabalho é mais discreto, em Má Educação, sua versatilidade fica evidente.
Deixo abaixo algumas fotos para ilustrar a genialidade desse designer de moda, além de dicas para o final de semana: quem ainda não assistiu O Quinto Elemento (já passou até na Sessão da Tarde, pessoal), é um bom filme para rir e ver a soprano Inva Mula encarnando a diva alien Plavalaguna, ao cantar a “Cena da Loucura”, da ópera Lucia di Lammermoor (ou pode ver a cena direto aqui). A outra dica, com um roteiro mais pesado e atuações mais complexas, fica por conta de O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante, de Peter Greenaway. Em ambos os casos, o trabalho de JPG é perfeito.









Texto: Lúcia Safi - bióloga e modelo nas horas vagas.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Donwton Abbey: o estilo do início do século XX.


A série britânica Downton Abbey estreou em 2010 com grande sucesso de público e crítica. Escrito por Julian Fellowes, a série retrata o cotidiano da família aristocrática dos Crawley e seus criados em inícios do século XX.
No vaivém das escadas que separam o upstairs e o downstairs de Dwonton Abbey, propriedade fictícia em Yorkshire, reside o grande trunfo da série. O entrelaçamento das histórias da família Crawley com as de seus criados revela um mundo em rápidas transformações – desde a popularização da energia elétrica e do telefone às novas contingências e mudanças nas relações sociais em uma Inglaterra em vias de decadência.
As histórias entrelaçadas ultrapassam redutos alegóricos dos “patrões” e dos “empregados”, tornando-se um enredo só. Os dramas vividos pelos Crawleys são sentidos pelos seus criados, ao passo que aqueles, herdeiros de uma nobreza estacionária, vivem para a propriedade e para seus criados. As mudanças impostas pelo capitalismo afetam a vida de todos, e as perceptíveis fraturas na velha ordem social no coração do Reino Unido são expostas de uma maneira sensível e bela.
A série já conta com três temporadas, com uma quarta prevista ainda para 2013. Vencedor de vários Emmys em 2011, a série consagrou-se no mundo anglófono, recebendo o prêmio de melhor série em diversos festivais. Seja pela riqueza histórica e cuidado nos detalhes ou pela delicadeza dos diálogos e dos dramas vividos pelos complexos personagens que habitam Downton Abbey, essa é uma série que sem dúvida já marcou a história da televisão.

Texto: José Augusto Ribas Miranda - Mestre em História pela PUCRS.

Além de todas as qualidades apontadas pelo Zé sobre a série, gostaria de acrescentar o ótimo figurino e a produção de arte impecáveis, que nos transportam para a década de 1910. O início do século XX é uma época de muitas mudanças que se expressam na vestimenta. Os espartilhos muito apertados e saias sino do final do século XIX começam a ceder – e a imagem da mulher estática entra em crise. A velha matriarca da família Crawley ainda é adepta dessa estética – já as mulheres mais jovens da família são mais modernas. Utilizam somente os espartilhos na altura do busto, as saias mais ajustadas e retas. O estilo contudo é discreto, como mandam os hábitos de uma família tradicional. A filha mais nova é a mais ousada. Ela usa, em um episódio da primeira temporada, um traje em estilo oriental, que lembra as produções criadas por Paul Poiret.
A mulher do período retratado começa a ocupar mais o espaço público, trabalha fora, participa das manifestações pelo voto feminino. Todas essas transformações sociais – e, posteriormente, a Primeira Guerra Mundial – resultam em mudanças estéticas importantes na maneira de vestir. A roupa passa a ser mais prática, buscandp elementos do guarda roupa masculino. A mulher não é mais um bibelot inacessível, mas pode ser uma sedutora Sherazade inspirada pelos espetáculos dos Ballets Russos.



Texto: Laura Ferrazza de Lima






quinta-feira, 30 de maio de 2013

Intriga, luxúria e beleza: o figurino em The Borgias.


   Em abril de 2013, estreou no exterior a terceira temporada da série The Borgias. Veiculada nos EUA pelo Canal Showtime, a produção teve sua primeira temporada exibida no Brasil em 2011 pelo TCM.   A segunda foi exibida em 2012 pelo TNT - que sofreu muitas críticas por ter veiculado apenas uma versão dublada. Como o nome já diz, a produção baseia-se na história real da família mais famigerada e fascinante do Renascimento italiano. De origem espanhola, a dinastia era liderada por Rodrigo Bórgia - que foi Papa entre 1492 e 1503, com o nome de Alexandre VI. A série explora as facetas mais polêmicas do clã, como a promiscuidade do pontífice, que colecionava amantes e distribuía cargos entre os filhos bastardos. Entre as celebridades da família também está Cesare Bórgia - que foi Cardeal e líder do exército do Vaticano. Foi na figura de Cesare que Maquiavel teria se inspirado para escrever sua obra clássica "O Príncipe" - espécie de corolário do governante inescrupuloso, que deu origem ao termo "maquiavélico". No lado feminino, resplandece a figura de Lucrécia Bórgia, uma das mais belas e perigosas mulheres de seu tempo. Na série a personagem vai da ingenuidade ao incesto ao longo das três temporadas. Alvo de acusações de envenenamento, teve três maridos e muitos amantes. 
   A produção de arte é impecável: cenários, produção de objetos e figurinos são reconstruídos com profundo cuidado e verossimilhança histórica. Os tecidos adamascados, os bordados, o corte dos vestidos femininos abaixo do seio - tudo está lá. Chamam a atenção certos detalhes como as nesgas - aberturas nas mangas do vestido superior, que deixavam ver a camisa de baixo - e os decotes quadrados e profundos sustentados por espartilhos. Também vale destacar as jóias em pérola, nos brincos, colares e redes de cabelo. Os trajes eclesiásticos, por sua vez, revelam o luxo e a extravagância do clero da época. O destaque vai para a púrpura, o veludo e a seda. As roupas masculinas, como calções curtos e meias longas por baixo, surgem acompanhados de gibão, com preferência para as cores escuras.  
The Borgia, enfim, é uma excelente oportunidade para ver o desfile de vilões irresistíveis e belas damas devassas - todos vestidos com a maior elegância.
Mais madura e má na segunda temporada
A bela Lucrécia Bórgia, com ar de inocente na
 primeira temporada.
O decote ousado de Lucrécia e o rico cenário.

Todos de púrpura, menos o bebê.


O charmoso e perigoso César Bórgia.

O clã reunido para um baile de máscaras



O Papa entre as mulheres de sua vida: A amante Giulia Farnese, a filha Lucrécia e a mãe de seus filhos.



O segundo casamento de Lucrécia na Terceira Temporada.

terça-feira, 14 de maio de 2013

A moda de Westeros


     Com a estréia de sua terceira temporada no mês de março, “Game of Thrones” se reafirma  como uma das séries mais cativantes dos últimos tempos. Cada episódio tem, em média, um público de mais de 6 milhões de pessoas. A produção do canal HBO é baseada nos livros da série “A Song of Ice and Fire” de George R. R. Martin (até agora 5 livros foram lançados, e o sexto está previsto para 2014). O desafio dos produtores David Benniof e D. B. Weiss foi encaixar em temporadas de 10 episódios as múltiplas histórias que se entremeiam ao longo dos grossos volumes - cada tomo tem de 600 a 1000 páginas, dependendo das edições. A tarefa, embora espinhosa, foi cumprida com sucesso. Apesar de algumas mudanças no enredo, a produção da HBO captou a essência da saga de Martin: a mistura de um realismo às vezes brutal com um cenário de alta fantasia. Maquiavélicas intrigas políticas se desenrolam em um mundo onde existem dragões e magia - tudo extremamente verossímil e com personagens epigramáticos e convincentes.
     A saga tem início em Westeros, uma terra cujos “verões duram décadas e os invernos, uma vida inteira”. O domínio desse continente é disputados por cinco soberanos, com suas respectivas cortes, exércitos, seguidores e traidores. É uma história calcada na disputa pelo poder - e, como não poderia deixar de ser, a violência é um elemento essencial e quase onipresente. O tratamento realista das disputas políticas e dos apetites humanos dá um ar shakespeariano a esse cenário fantástico que nada tem de pueril. Mas nem tudo é sangue e sexo. A série é extremamente bem escrita, com diálogos memoráveis e personagens que jamais são unidimensionais. 
     O figurino rico e exuberante foi produzido por Michele Clapton, a partir de vários elementos  da Idade Média Européia. Além de Westeros, parte da história se passa no continente oriental de Essos - nessas cenas, o figurino utiliza várias referências de povos não europeus, da África ao Oriente Médio e às estepes asiáticas. As peças utilizam muito o couro de vários tipos, além  de metais. Uma blogueira africana encontrou semelhanças entre o figurino de G.O.T. e a coleção apresentada pela maison francesa Givenchy no inverno de 2012 - o desfile apresenta peças com inspiração na estética do povo cigano. Tire suas próprias conclusões observando as imagens no final do post. 




Givenchy VS. G.O.T
Givanchy VS. G.O.T
Givenchy VS. G.O.T
Givenchy VS. G.O.T
Givenchy VS. G.O.T
Givenchy VS. G.O.T
Givenchy VS. G.O.T
Givenchy VS. G.O.T

Texto: Vitoria Valério com colaboração de Lorenzo Fantunes
Fotos: Miss Moss e reprodução

sábado, 23 de fevereiro de 2013

O figurino de Anna Karenina



A beleza de uma traição

   Anna Karenina, dirigido por Joe Wright, é a mais recente adaptação para o cinema do romance clássico do russo Liev Tolstói. Trata-se da história da uma bela aristocrata russa, vivida por Keyra Knightley, casada, rica e mãe de família, que se apaixona loucamente pelo jovem oficial Vronsky (Aaron Johnson). O marido traído, Alexei Karenin (Jude Law), vinga-se pressionando a esposa e a proibindo de ver o filho. 
  A heroína, que já foi interpretada por divas do cinema como Greta Garbo e Vivien Leigh, segue imortal. Na nova adaptação as cenas internas acontecem em um palco, dando um ar teatral à trama. Os figurinos chamam bastante a atenção. A figurinista é Jacqueline Durran, que já trabalhou com o mesmo diretor e a mesma atriz nos filmes "Orgulho e Preconceito" e "Desejo e Reparação". Em "Ana Karênina", seus figurinos são igualmente impecáveis e inesquecíveis. O diretor sugeriu que ela não seguisse à risca a moda da época em que se passa a história, a fim de dar um ar mais contemporâneo aos trajes. Assim, ela mesclou a indumentária da década de 1870 com referências à silhueta dos anos de 1950 - marcada por estilistas como Christian Dior e Balenciaga. O resultado é um glamour nada falso - até porque a moda na década de 50 inspirava-se assumidamente no século XIX. 
   O luxo e a ostentação da Rússia Czarista transparece na elegância dos vestidos e na imponência das jóias, principalmente da protagonista. Cada minúcia foi perfeitamente executada, mesmo nos acessórios, como os chapéus e adereços de cabeça. O resultado é uma festa para os olhos. Afinal, o que torna o figurino de um filme excelente não é apenas acuidade histórica, mas o encantamento que ele provoca no expectador. Nota-se o cuidado da figurinista em cenas onde se podem ver as peças íntimas, aquilo que o vestido esconde e que é executado com igual zelo. 
    Além dos trajes femininos, destaque para as impecáveis fardas militares, incluindo as de gala. E as roupas dos aristocratas, nas quais a sobriedade do preto é rompida por finos bordados.
   Em suma, trata-se de um romance imortal que ganhou uma roupagem estonteante. Para mim, parece uma boa aposta para levar o Oscar da categoria esse ano.









Texto: Laura Ferrazza de Lima

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A roupa do presidente!


No filme “Lincoln”, Steven Spielberg nos apresenta uma versão quase mítica da figura do 16° presidente dos Estados Unidos – interpretado aqui de forma ao mesmo tempo sutil e soberba pelo ator Daniel Day-Lewis. Na forma como retrata o personagem – não apenas nos figurinos e na caracterização, mas até mesmo nas posições da câmara e no enquadramento – o filme faz referências constantes à vasta iconografia que cerca a imagem de Abraham Lincoln. Vale lembrar que o protagonista desse épico intimista viveu no período em que a fotografia começava a se tornar popular. São muitos os retratos fotográficos que cristalizaram o rosto e a figura de Lincoln no imaginário dos norte-americanos (e, em parte, no imaginário de outros países também). E a produção de Spielberg bebe profusamente desse consagrado caudal de imagens.
Dentre os concorrentes deste ano, Lincoln é o filme indicado para o maior número de categorias – entre elas, a de melhor figurino. Quem assina é a britânica Joanna Johnston, que já trabalhou com Spielberg em diversos filmes como “Indiana Jones e a Ultima Cruzada”, “O Resgate do Soldado Ryan” e “Munique”. A figurinista, que nunca levou uma estatueta para casa, é uma das favoritas de 2013.
Joanna Johnston levou a sério a pesquisa para a trama, e seu cuidado é visível na atenção aos detalhes da indumentária da época retratada – a década de 1860 nos Estados Unidos. Ela estudou fotos históricas e pinturas do período, pesquisando vestidos e jóias em lugares como a Biblioteca do Congresso e o Museu de História de Chicago.
Lincoln usa cartolas, ternos e casacas em tons sóbrios e tecidos pesados como ditava a moda masculina daquela década. Já a personagem Mary Todd Lincoln, interpretada por Sally Field, aparece vestida em cores mais vivas, numa boa representação da moda vitoriana, com vestidos pomposos, cheios de babados, rendas e saias amplas. Johnston veste a esposa de Lincoln com maestria, respeitando as minúcias do período. A preocupação em se manter bem perto daquilo que se conhece sobre a época é um dos fatores que fazem da produção uma favorita para o Oscar de Melhor figurino neste ano.






 Texto: Luísa Kuhl Brasil

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O figurino de A Branca de Neve e o Caçador

   

   Dirigido por Rupert Sanders, "A Branca de Neve e o Caçador" é outro filme que concorrerá ao Oscar de melhor figurino este ano. Colleen Atwood, que é a figurinista responsável, já levou a estatueta 3 vezes [Alice no País das Maravilhas (2010), Memórias de Uma Gueixa (2005) e Chicago (2002)].
   Diferente da outra versão ( Espelho, Espelho Meu) sobre o mesmo conto de fadas, o figurino de "A Branca de Neve e o Caçador" tem um ar mais sério e sombrio. É também mais despojado, já que, segundo a sua criadora, a ideia era criar algo que remetesse a uma Idade Média menos luxuosa. A personagem principal vivida por Kristen Stewart tem figurinos pouco trabalhados. O primeiro que a vemos usar é composto por um vestido curto, calças de couro e botas, o que pode parecer a princípio um erro. Logo percebemos o porquê: a personagem é ágil e menos feminina que a Branca de Neve “original”. Ela aparece ainda usando uma armadura e por fim um vestido vermelho.
   Ravenna (Charlize Theron), que é a madrasta e logo vilã da história,  ganhou um figurino detalhado e muito elaborado. Segundo a figurinista ela queria algo que transmitisse a sensação de decadência. Vestidos feitos com cascas de besouro da Tailândia, ossos e malhas metalizadas, além de uma capa feita com penas costuradas a mão, foram detalhes que garantiram essa indicação ao Oscar.








Texto: Vitória Valério