quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Total Branco!

Uma das principais tendências para a primavera/verão são os looks total white. Acreditamos no potencial refrescante da cor. Inspiradas pela ideia nós criamos um editorial bem ao estilo Las Meninas para a proposta. Mesclamos o branco puríssimo com o off-white e pontos de preto discretos, num jogo de p e b onde o b prevalece. Além disso mostramos a proposta em diferentes estilos: casual, retrô e sexy. Nossa modelo passeia pelas ruas da cidade, encontra um antiquário e não resiste a um picolé para refrescar. Entre no clima e aposte no branco em materiais nobres. Nós usamos algodão com renda, vestido plissado lembrando as melindrosas dos anos 20 e mini saia de couro, tudo numa interpretação bem atual. 



Blusa com peplum Marisa, short em renda Farm, anel e brincos acervo. Tudo acervo Las Meninas.



Vestido em camadas Renner e anel acervo. Tudo acervo Las Meninas
Regata Farm, saia CeA, cinto Marisa, colar acervo. Tudo acervo Las Meninas

Modelo: Vanessa Bernardes
Produção: Laura Ferrazza de Lima
Locação: Antiquário do Paulinho. Av. General Osório, n. 1535. Fone: 32425301. Bagé, RS.
Agradecimentos: Paulo Eduardo Bueno Brum

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Jean Paul Gaultier e o cinema

Já deste uma olhada na página do IMDB do Jean Paul Gaultier? Sim, ele está no IMDB. A maioria das pessoas o conhece pelo seu trabalho em haute couture ou Pret-a-Porter, ou o famoso sutiã da Madonna, ícone dos anos 90, mas ele é, também (caso ter sido diretor criativo da Hermès não seja suficiente), um dos designers de figurino mais versáteis e competentes da atualidade. Explico o porquê: em geral, quando falamos de bons figurinos para o cinema, ficamos atrelados àqueles de época, grandiloquentes, como no caso de Anna Karenina e o Grande Gatsby (aqui sem fazer juízo de qualidade, os figurinos e estética de ambos os filmes são maravilhosos). E mesmo no caso daqueles que não sejam estritamente de época, como Senhor dos Anéis e Game of Thrones, tudo remete muito a roupas e cenários de Idade Média/Renascimento.
É aí que entra o trabalho de JPG. Ele conseguiu, seja em filmes futuristas, como O Quinto Elemento, ou muito teatrais, que é o caso de O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante, mostrar uma qualidade ímpar no desenho de estilos completamente diferentes, e, mesmo em um filme em que seu trabalho é mais discreto, em Má Educação, sua versatilidade fica evidente.
Deixo abaixo algumas fotos para ilustrar a genialidade desse designer de moda, além de dicas para o final de semana: quem ainda não assistiu O Quinto Elemento (já passou até na Sessão da Tarde, pessoal), é um bom filme para rir e ver a soprano Inva Mula encarnando a diva alien Plavalaguna, ao cantar a “Cena da Loucura”, da ópera Lucia di Lammermoor (ou pode ver a cena direto aqui). A outra dica, com um roteiro mais pesado e atuações mais complexas, fica por conta de O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante, de Peter Greenaway. Em ambos os casos, o trabalho de JPG é perfeito.









Texto: Lúcia Safi - bióloga e modelo nas horas vagas.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Donwton Abbey: o estilo do início do século XX.


A série britânica Downton Abbey estreou em 2010 com grande sucesso de público e crítica. Escrito por Julian Fellowes, a série retrata o cotidiano da família aristocrática dos Crawley e seus criados em inícios do século XX.
No vaivém das escadas que separam o upstairs e o downstairs de Dwonton Abbey, propriedade fictícia em Yorkshire, reside o grande trunfo da série. O entrelaçamento das histórias da família Crawley com as de seus criados revela um mundo em rápidas transformações – desde a popularização da energia elétrica e do telefone às novas contingências e mudanças nas relações sociais em uma Inglaterra em vias de decadência.
As histórias entrelaçadas ultrapassam redutos alegóricos dos “patrões” e dos “empregados”, tornando-se um enredo só. Os dramas vividos pelos Crawleys são sentidos pelos seus criados, ao passo que aqueles, herdeiros de uma nobreza estacionária, vivem para a propriedade e para seus criados. As mudanças impostas pelo capitalismo afetam a vida de todos, e as perceptíveis fraturas na velha ordem social no coração do Reino Unido são expostas de uma maneira sensível e bela.
A série já conta com três temporadas, com uma quarta prevista ainda para 2013. Vencedor de vários Emmys em 2011, a série consagrou-se no mundo anglófono, recebendo o prêmio de melhor série em diversos festivais. Seja pela riqueza histórica e cuidado nos detalhes ou pela delicadeza dos diálogos e dos dramas vividos pelos complexos personagens que habitam Downton Abbey, essa é uma série que sem dúvida já marcou a história da televisão.

Texto: José Augusto Ribas Miranda - Mestre em História pela PUCRS.

Além de todas as qualidades apontadas pelo Zé sobre a série, gostaria de acrescentar o ótimo figurino e a produção de arte impecáveis, que nos transportam para a década de 1910. O início do século XX é uma época de muitas mudanças que se expressam na vestimenta. Os espartilhos muito apertados e saias sino do final do século XIX começam a ceder – e a imagem da mulher estática entra em crise. A velha matriarca da família Crawley ainda é adepta dessa estética – já as mulheres mais jovens da família são mais modernas. Utilizam somente os espartilhos na altura do busto, as saias mais ajustadas e retas. O estilo contudo é discreto, como mandam os hábitos de uma família tradicional. A filha mais nova é a mais ousada. Ela usa, em um episódio da primeira temporada, um traje em estilo oriental, que lembra as produções criadas por Paul Poiret.
A mulher do período retratado começa a ocupar mais o espaço público, trabalha fora, participa das manifestações pelo voto feminino. Todas essas transformações sociais – e, posteriormente, a Primeira Guerra Mundial – resultam em mudanças estéticas importantes na maneira de vestir. A roupa passa a ser mais prática, buscandp elementos do guarda roupa masculino. A mulher não é mais um bibelot inacessível, mas pode ser uma sedutora Sherazade inspirada pelos espetáculos dos Ballets Russos.



Texto: Laura Ferrazza de Lima






quinta-feira, 30 de maio de 2013

Intriga, luxúria e beleza: o figurino em The Borgias.


   Em abril de 2013, estreou no exterior a terceira temporada da série The Borgias. Veiculada nos EUA pelo Canal Showtime, a produção teve sua primeira temporada exibida no Brasil em 2011 pelo TCM.   A segunda foi exibida em 2012 pelo TNT - que sofreu muitas críticas por ter veiculado apenas uma versão dublada. Como o nome já diz, a produção baseia-se na história real da família mais famigerada e fascinante do Renascimento italiano. De origem espanhola, a dinastia era liderada por Rodrigo Bórgia - que foi Papa entre 1492 e 1503, com o nome de Alexandre VI. A série explora as facetas mais polêmicas do clã, como a promiscuidade do pontífice, que colecionava amantes e distribuía cargos entre os filhos bastardos. Entre as celebridades da família também está Cesare Bórgia - que foi Cardeal e líder do exército do Vaticano. Foi na figura de Cesare que Maquiavel teria se inspirado para escrever sua obra clássica "O Príncipe" - espécie de corolário do governante inescrupuloso, que deu origem ao termo "maquiavélico". No lado feminino, resplandece a figura de Lucrécia Bórgia, uma das mais belas e perigosas mulheres de seu tempo. Na série a personagem vai da ingenuidade ao incesto ao longo das três temporadas. Alvo de acusações de envenenamento, teve três maridos e muitos amantes. 
   A produção de arte é impecável: cenários, produção de objetos e figurinos são reconstruídos com profundo cuidado e verossimilhança histórica. Os tecidos adamascados, os bordados, o corte dos vestidos femininos abaixo do seio - tudo está lá. Chamam a atenção certos detalhes como as nesgas - aberturas nas mangas do vestido superior, que deixavam ver a camisa de baixo - e os decotes quadrados e profundos sustentados por espartilhos. Também vale destacar as jóias em pérola, nos brincos, colares e redes de cabelo. Os trajes eclesiásticos, por sua vez, revelam o luxo e a extravagância do clero da época. O destaque vai para a púrpura, o veludo e a seda. As roupas masculinas, como calções curtos e meias longas por baixo, surgem acompanhados de gibão, com preferência para as cores escuras.  
The Borgia, enfim, é uma excelente oportunidade para ver o desfile de vilões irresistíveis e belas damas devassas - todos vestidos com a maior elegância.
Mais madura e má na segunda temporada
A bela Lucrécia Bórgia, com ar de inocente na
 primeira temporada.
O decote ousado de Lucrécia e o rico cenário.

Todos de púrpura, menos o bebê.


O charmoso e perigoso César Bórgia.

O clã reunido para um baile de máscaras



O Papa entre as mulheres de sua vida: A amante Giulia Farnese, a filha Lucrécia e a mãe de seus filhos.



O segundo casamento de Lucrécia na Terceira Temporada.